Depois de participar da abertura da 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana, o FLIFS, ao lado da cantora feirense Maryzelia, Roberta Sá aproveitou a passagem pela cidade para conhecer um dos territórios mais importantes para a preservação do samba de roda baiano: o Quilombo da Matinha.

A visita foi compartilhada pela artista nas redes sociais nesta quarta-feira (26), com fotografias ao lado da amiga Maryzelia e de Dona Chica do Pandeiro, uma das principais referências da comunidade, e de integrantes da Quixabeira da Matinha.

Na publicação, Roberta revelou que conhecer aquele território era um desejo cultivado havia quase duas décadas.

“Estar no solo matriz do samba de roda foi um sonho que levei quase 20 anos pra realizar”, escreveu.

Ela contou ainda que foi recebida por Guda, filho de Dona Chica e um dos responsáveis pela continuidade da Quixabeira, e descreveu o encontro como um dia de ancestralidade, afeto e preservação.

Uma riqueza que está no quintal de Feira

A passagem de Roberta Sá pela Matinha ajuda a jogar luz sobre um patrimônio que Feira de Santana abriga em seu próprio território.

A Quixabeira da Matinha é uma das grandes referências do samba de roda da Bahia e mantém viva uma tradição construída por gerações de sambadores e sambadeiras da comunidade quilombola. Seu trabalho já atravessou as fronteiras do país, com apresentações internacionais, além de circular por diferentes palcos brasileiros.

Entre os nomes ligados à história do grupo está Mestre Coleirinho da Bahia, pai de Guda e marido de Dona Chica do Pandeiro, um dos autores de “Quixabeira (Alô meu Santo Amaro)”, samba que ganhou projeção nacional e passou pelo repertório de grandes artistas da música brasileira.

Feira de Santana possui uma verdadeira mina de ouro cultural dentro de casa. A Quixabeira não representa apenas um grupo musical. Ela carrega uma tradição comunitária que ajudou a preservar o samba de roda e a memória de um território negro e quilombola da cidade.

Por isso, é especialmente simbólico que uma artista com a trajetória de Roberta Sá tenha esperado quase 20 anos para chegar à Matinha e “beber da fonte” do samba de roda.

Artistas, pesquisadores e admiradores da cultura popular reconhecem a Matinha como um lugar de memória e referência do samba de roda. Essa riqueza precisa ser cada vez mais conhecida, valorizada e visitada pelos próprios feirenses.

Roberta Sá atravessou o país e realizou um sonho ao chegar até lá.

Feira de Santana tem esse tesouro no próprio quintal.

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