A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (28), durante a 26ª Sessão Ordinária, o projeto de lei que denomina de Carlos Pitta o teatro do Centro de Convenções de Feira de Santana. A proposta é de autoria do deputado estadual Robinson Almeida (PT) e recebeu parecer favorável das comissões da Casa antes de ser aprovado no plenário.
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) aprovou por unanimidade, na terça-feira (28), durante a 26ª Sessão Ordinária, o projeto de lei que nomeia o teatro do Centro de Convenções de Feira de Santana em homenagem ao cantor e compositor Carlos Pitta. A proposta, de autoria do deputado estadual Robinson Almeida (PT), havia recebido parecer favorável das comissões temáticas antes de ser submetida ao plenário.
A decisão é um reconhecimento definitivo a um dos artistas mais completos que Feira de Santana já produziu.
A trajetória de Carlos Pitta

Nascido em Feira de Santana, Bahia, em 3 de março de 1955, Carlos Pitta iniciou sua trajetória musical em 1979 com o álbum Águas do São Francisco – Lendas, lançado pelo selo Chantecler. O disco, influenciado pela literatura de cordel, evidenciou desde o início seu compromisso com as tradições nordestinas.
Em 1982, lançou Coração de Índio pela gravadora Continental, em parceria com o poeta tropicalista José Carlos Capinan — trabalho que contou com composições de Gilberto Gil e Edu Lobo. Dois anos depois, em 1984, o disco Brisa chegou pelo selo independente Estúdio de Invenções, com participação de músicos como Antônio Adolfo e João Donato. Em 1986, em colaboração com a poetisa Myriam Fraga e o artista plástico Calazans Neto, apresentou A Lenda do Pássaro que Roubou o Fogo, com arranjos do maestro Lindenberg Cardoso e prefácio de Jorge Amado.
O grande salto para o público nacional veio em 1988. O primeiro sucesso nacional foi Cometa Mambembe, registrado no álbum Feliz — canção que marcou uma parceria de longa data com o compositor Paulinho Boca e esteve presente em todos os carnavais do artista.
Formado em Composição e Regência pela Universidade Federal da Bahia e influenciado por mestres como Ernst Widmer, Pitta desenvolveu uma música que fundia ritmos nordestinos com elementos do pop internacional.
Feira de Santana como musa e destino
Carlos Pitta jamais se distanciou de suas raízes. Saiu da cidade com 17 anos para percorrer o mundo com a música, mas em seus álbuns sempre falou da terra natal — de Princesa Sertaneja, sua homenagem ao sertão baiano, a Todos os Caminhos Levam a Feira de Santana, que celebra a história e as peculiaridades da “Princesa do Sertão”.
Seu vínculo com Feira foi além das composições. Em um trabalho de pesquisa com o jornalista Jorge Magalhães, Pitta resgatou o Hino de Feira de Santana, de autoria de Georgina Erisman, executado até hoje nas solenidades da cidade.
O legado e a homenagem
Carlos Pitta faleceu em Salvador no dia 7 de janeiro de 2025, aos 69 anos, em decorrência de complicações causadas pelo diabetes. Deixou uma obra de mais de 16 álbuns e quatro décadas de dedicação à cultura brasileira.
Para o deputado Robinson Almeida, autor do projeto, a aprovação unânime na ALBA é a formalização de uma dívida histórica. “Carlos Pitta merece ser eternizado. Foi um artista que levou o nome de Feira de Santana, da Bahia e do Nordeste para o Brasil e para o mundo com sua música, seu talento e sua sensibilidade”, declarou o parlamentar. “Dar o nome de Carlos Pitta ao teatro é uma forma de manter viva sua memória e inspirar novas gerações de artistas.”
O teatro homenageado integra o Centro de Convenções de Feira de Santana, inaugurado pelo governador Jerônimo Rodrigues em 16 de dezembro de 2024, fruto de um investimento de R$ 56 milhões pelo Estado, e que se consolida como polo estratégico da economia criativa e do turismo de negócios no interior baiano.

