A trajetória do audiovisualista feirense Arivaldo Publio ganha novos contornos ao acompanhar de perto um dos movimentos mais pulsantes da arte urbana na Bahia. À frente da produtora Ser Tão Filmes, ele assina registros que ajudam a contar a história recente do graffiti em Salvador, conectando arte, território e transformação social.
O trabalho mais recente integra o documentário “MUSAS: Graffiti, Comunidade e Transformação na Bahia”, obra que mergulha na atuação do Museu de Street Art de Salvador e no impacto do Coletivo MUSAS em comunidades da capital. Com um acervo construído ao longo de mais de 14 anos pelos próprios artistas e somado a seis anos de registros feitos por Arivaldo, o média-metragem revela o graffiti como linguagem de pertencimento, resistência e construção de identidade.
A produção também dialoga com a história do movimento hip-hop, que completou cinco décadas no mundo, e evidencia como a arte urbana tem se consolidado como ferramenta de educação e mobilização cultural. Um dos cenários centrais é o Solar do Unhão, onde as intervenções artísticas ultrapassam o campo estético e se transformam em prática coletiva de diálogo e formação.

Além do documentário, o olhar de Arivaldo também se expande para a fotografia. Uma exposição com imagens captadas por ele reforça o caráter documental de sua obra e ajuda a registrar um momento considerado histórico para o graffiti em Salvador, marcado pela realização do festival Bahia de Todas as Cores. O evento, que se consolidou como um dos maiores festivais de graffiti do Brasil, reuniu mais de 100 artistas de diferentes partes do país e do mundo, ampliando a visibilidade da cena baiana.
Após a exibição do filme, o debate com o coletivo Vai e Faz, responsável pelo festival, reforçou a dimensão coletiva do movimento e o papel da comunicação na valorização dessas narrativas. O reconhecimento do trabalho também se traduz em novos caminhos. O documentário foi convidado a integrar a programação da TVE Bahia, vinculada ao IRDEB, ampliando o alcance da produção.

Natural de Feira de Santana, Arivaldo construiu sua trajetória ao longo de mais de uma década registrando manifestações culturais e histórias ligadas aos territórios. Entre seus trabalhos estão documentários sobre povos originários, como o registro do Manto Tupinambá, e a série “8 Distritos”, exibida na TV Brasil, que percorre diferentes regiões feirenses.
Mais do que documentar, seu trabalho evidencia a potência da imagem como ferramenta de memória e transformação. Ao lançar luz sobre o graffiti e seus protagonistas, o feirense ajuda a consolidar uma narrativa em que a arte urbana ocupa o centro do debate cultural e social, atravessando fronteiras e reafirmando identidades.

