A criação do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, sancionado nesta segunda-feira (11) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recolocou no centro do debate público a importância da memória sobre uma das maiores tragédias sanitárias da história do país. Em meio a esse movimento de reparação simbólica, um artista de Feira de Santana também passou a integrar esse registro coletivo.


O artista visual feirense Danilo Freitas é o autor do memorial “Flor do Tempo”, instalado no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, em homenagem às vítimas da Covid-19. A obra voltou a ganhar destaque nacional nos últimos dias junto às discussões sobre a criação da data oficial de memória às mais de 700 mil vidas perdidas no Brasil.

Produzido em aço inox, o memorial apresenta formas humanas estilizadas em torno de uma estrutura central. A composição busca representar ausência, luto, permanência e memória coletiva. A instalação foi resultado de um edital público do Ministério da Saúde e integra um conjunto de ações voltadas à preservação da memória da pandemia no país.

Nas redes sociais, a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade citou diretamente a obra do feirense ao comentar a tramitação do Projeto de Lei nº 2.120/2022, que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. Segundo ela, a iniciativa ocorre no mesmo contexto da reinauguração do Centro Cultural do Ministério da Saúde e da valorização de espaços memoriais relacionados à pandemia.

A data escolhida para a homenagem nacional será 12 de março, referência ao registro da primeira morte por Covid-19 no Brasil. Durante a cerimônia de sanção da lei, Lula defendeu a preservação da memória sobre o período e criticou a condução do governo federal durante a pandemia, especialmente a disseminação de desinformação sobre vacinas.

Danilo Freitas também é o artista responsável pelo monumento do vaqueiro instalado na Praça do Tropeiro, em Feira de Santana, uma das esculturas públicas mais simbólicas da cidade. O trabalho do artista dialoga diretamente com temas ligados à memória, identidade e pertencimento, marcas presentes tanto na homenagem às vítimas da pandemia quanto na representação da cultura sertaneja feirense.

Monumento do Vaqueiro – Praça do Tropeiro

Mais do que um monumento, a obra do artista feirense passa a ocupar um lugar simbólico dentro da narrativa histórica sobre a pandemia no Brasil. Em um país onde tantas vezes a memória coletiva é atravessada pelo esquecimento, um artista de Feira de Santana ajudou a transformar luto em permanência.

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