Não é muito inovador dizer que a masculinidade tradicional está em crise, mas ainda é pequena a proporção de homens que se dedicam a observar, entender, reconhecer e representar os dilemas do masculino em suas diversas dimensões: sociais, emocionais, relacionais.

O descaso consigo, o ímpeto aventureiro como fuga de incômodos profundos não reconhecidos, o silêncio como ausência de uma gramática sentimental. A dor, o medo, a ambiguidade dos poderes adquiridos e herdados que não bastam para promover paz em si.

O cineasta feirense Daniel Sal parece ter escolhido temas dessa magnitude como assunto prioritário da sua obra, conforme apontam os filmes Menos Eu (2022) e o recém-lançado Carranca. Se em Menos Eu temos a apresentação do protagonista a partir de suas ausências, em Carranca Daniel decide mergulhar no caos interno do personagem principal, um homem de meia-idade que se depara com a finitude ao ser diagnosticado com uma doença grave.

No curta-metragem, as mulheres da convivência do personagem principal lidam com os efeitos desse homem em crise, cenário muito comum nas diversas configurações afetivas em que o masculino é protagonista. Sem criar antagonismos fáceis para abordar o assunto, a obra consegue apontar para a complexidade e as encruzilhadas dessa realidade.

O filme é ambientado em Feira de Santana, trazendo uma fotografia sensível e original, em cenas que dialogam com o cotidiano popular da cidade. A estreia do curta ocorrerá no dia 20 de agosto, na Mostra Brasil, do Festival de Cinema de Caruaru, em uma seleção que recohece a qualidade do cinema produzido por Daniel Sal.

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