A banda feirense Fogo Pagô realiza, na próxima sexta-feira (17), o show mais importante de sua trajetória ao lançar oficialmente o álbum Rastro Guia, segundo trabalho de estúdio do grupo. A apresentação acontece às 20h, no Teatro Carlos Pitta, no Centro de Convenções de Feira de Santana, com entrada gratuita e ingressos disponíveis pela plataforma Sympla.

O espetáculo marca um momento simbólico para a banda: será a primeira oportunidade de vivenciar ao vivo as oito faixas inéditas do novo disco em um formato concebido especialmente para o palco, reunindo música, cenografia e encontros artísticos que ampliam a experiência proposta pelo álbum. A noite também será marcada pela despedida do baterista Rodrigo Barba, ex-integrante da banda Los Hermanos, que realiza sua última apresentação ao lado do grupo.

Em Rastro Guia, o místico e o feminino atravessam sons, movimentos e palavras. O Agreste, o Sertão e o Recôncavo se encontram nessa grande encruzilhada chamada Feira de Santana, dando origem a uma sonoridade que mistura baião, ijexá, psicodelia, rock progressivo, cantorias e outros elementos da música nordestina.

Rebento do caminho iniciado pelo primeiro disco, O Abre Caminhos, lançado em 2021, o novo trabalho busca revelar os ecos do território no corpo e na memória. A cidade aparece como personagem central, com suas tensões, encontros e potências, respirando fuligem e folhagem no mesmo pulmão e transformando cruzamentos em identidade musical.

O EP reúne oito faixas inéditas, sendo sete composições autorais da banda e uma releitura de Meu Umbuzeirinho, do multiartista uauaense Gildemar Sena, que também assina a arte da capa do álbum e a identidade visual do grupo. Gildemar participa ainda da construção da cenografia do espetáculo, concebida em parceria com a banda e inspirada em uma paisagem interiorana e psicodélica.

Além das canções do novo disco, o repertório reserva participações especiais e surpresas preparadas exclusivamente para a ocasião. A formação do show contará com Maiara Carmo (voz e pandeiro), Letícia Peixinho (voz e triângulo), Laninha Lopes (guitarra), Débora Carvalho (baixo), Afrosamurai (percussão) e Rodrigo Barba (bateria). Para completar o encontro, artistas da cena contemporânea feirense também sobem ao palco como convidados especiais: Daniel da Quixabeira e Piveton.

Uma trajetória construída entre festivais e encontros

Formada em 2018, em Feira de Santana, por Maiara Carmo e Letícia Peixinho, a Fogo Pagô vem construindo uma trajetória marcada pela experimentação sonora e pela valorização das referências culturais do interior baiano.

O primeiro reconhecimento veio em 2020, quando a canção Boca de Peixe venceu o prêmio de Música Mais Votada pelo Público no Festival de Música da Educadora FM. No mesmo ano, o grupo foi contemplado pelo edital RespirArte, da Funarte, que possibilitou a gravação do primeiro videoclipe da banda.

Em 2021, a Fogo Pagô lançou o álbum O Abre Caminhos, contemplado pelo Prêmio Jorge Portugal, da Lei Aldir Blanc. Inspirado pelo livro Ideias para adiar o fim do mundo, do escritor e líder indígena Ailton Krenak, o disco dialoga com referências como Edith do Prato, Dona Dalva, Samba Chula de São Braz, Cátia de França, Roze, Xangai e Alceu Valença, abordando temas ligados à natureza, ao etéreo e ao feminino.

Desde então, a banda passou por importantes palcos e festivais da Bahia e do Nordeste, entre eles o Feira Noise Festival, o Bembé do Mercado, o Sesc Sonoridades, o Panorama da Música Baiana, a Mostra Sesc Cariri e Culturas, o Festival Radioca e a Cantoria de São Gabriel.

Nos últimos anos, o grupo também estreitou sua relação com os festivais literários, participando de eventos como o Festival Literário de Uauá, o Festival Literário de Capim Grosso e a Feira Literária do Cumbe, em Euclides da Cunha. Em 2026, integrou a programação da Festa Literária de Ipiaú (Flipiaú) e da Mostra Sesc de Artes Aldeia Olhos D’Água.

Agora, com Rastro Guia, a Fogo Pagô reafirma sua identidade artística ao transformar as paisagens, os sons e os cruzamentos de Feira de Santana em música, celebrando a força criativa de uma cidade que há muito tempo aprendeu a fazer das encruzilhadas um lugar de encontro.

 

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