Em janeiro de 1995, um episódio ocorrido na zona rural de Feira de Santana colocou a cidade no centro de um dos relatos mais intrigantes da ufologia brasileira. Um fazendeiro afirmou ter visto um objeto voador cair dentro de um açude de sua propriedade. O caso envolveu relatos sobre seres desconhecidos, movimentação militar, helicópteros sobrevoando a região e um silêncio que atravessa três décadas sem resposta oficial.
O episódio aconteceu exatamente um ano antes do famoso caso de Varginha, em Minas Gerais, e até hoje é lembrado por pesquisadores da ufologia como um dos casos mais emblemáticos do país.
Segundo relatos publicados anos depois pelo jornal Correio e por pesquisadores do tema, o fazendeiro Beto Lima estava acompanhado de um funcionário na madrugada de 15 de janeiro de 1995, quando os dois perceberam uma movimentação incomum no céu enquanto caçavam tatu na propriedade rural. Pouco depois, um objeto luminoso teria caído em um açude da fazenda.
De acordo com o relato atribuído ao proprietário, ao se aproximarem do local eles encontraram uma estrutura metálica parcialmente submersa. Em seguida, uma espécie de escotilha teria se aberto.
Segundo a narrativa, dentro do objeto existiam dois seres desconhecidos. Um deles foi descrito como semelhante à clássica imagem popularizada sobre extraterrestres: pequeno, magro e de olhos grandes. O outro teria aparência diferente, descrito como peludo e semelhante a um bicho-preguiça.
Ainda segundo o relato, um dos seres estaria morto e o outro agonizando.


Na época, a história foi recebida inicialmente como um possível trote telefônico. O próprio fazendeiro teria ligado para veículos de imprensa de Feira de Santana relatando o ocorrido.
O ufólogo argentino radicado na Bahia Alberto Romero também foi procurado e decidiu investigar o caso. Segundo registros publicados posteriormente por ele e reproduzidos em entrevistas e reportagens, Romero chegou a se preparar para sair de Salvador em direção a Feira de Santana após ouvir o relato do fazendeiro. Minutos depois, porém, recebeu uma nova ligação. Dessa vez, a esposa do fazendeiro ligara, pedindo que o assunto fosse esquecido, afirmando que o marido estaria bêbado e inventando a história.
A mudança repentina chamou atenção do pesquisador.
Nos anos seguintes, Romero afirmou ter ouvido testemunhos sobre movimentações militares na região logo após o episódio. Pessoas relataram ao ufólogo a presença do Exército, helicópteros sobrevoando a área e operações na fazenda onde o suposto objeto teria caído. Parte desses relatos aparece no livro Verdades que Incomodam, escrito por ele.

Segundo a narrativa defendida por Romero, os seres e destroços teriam sido removidos do local e levados para Salvador, possivelmente para a região do Porto de Aratu. Não existe documentação oficial pública que confirme essa versão.
Outro elemento que alimenta o mistério é o silêncio posterior da família envolvida. Pesquisadores afirmam que eles nunca mais quiseram falar sobre o assunto publicamente.
Romero morreu em 2018 sem apresentar uma conclusão definitiva sobre o caso.
Bahia acumulou relatos de avistamentos nos anos 90
O caso de Feira de Santana não foi o único episódio envolvendo relatos de objetos voadores não identificados na Bahia durante os anos 1990.
Ainda em 1995, moradores de Riachão do Jacuípe afirmaram ter visto luzes estranhas sobrevoando áreas rurais da cidade. Já em 1996, ano do caso Varginha, municípios como Salvador, Lauro de Freitas, Itaparica, Entre Rios, Itaetê, Morro do Chapéu, Araçás e Alagoinhas registraram relatos semelhantes.
Nenhum dos episódios teve comprovação oficial de origem extraterrestre.
Arquivos oficiais sobre OVNIs existem no Brasil
Apesar do tema muitas vezes ser tratado como folclore ou teoria conspiratória, o Brasil manteve investigações oficiais sobre objetos voadores não identificados.
Entre 1969 e 1972, a Aeronáutica criou o Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (SIOANI), responsável por reunir relatos e investigar ocorrências envolvendo fenômenos aéreos.
Parte desse material foi aberta ao público décadas depois.
Hoje, o Arquivo Nacional mantém centenas de documentos sobre OVNIs produzidos entre 1952 e 2016, incluindo relatos, fotografias, correspondências e investigações conduzidas pela Força Aérea Brasileira. O acervo está disponível no Fundo Objeto Voador Não Identificado, identificado pelo código BR DFANBSB ARX.
Até o momento, porém, não há documentação oficial disponível sobre o suposto caso ocorrido em Feira de Santana.
O tema voltou ao debate internacional
Nos últimos anos, fenômenos aéreos não identificados voltaram ao centro do debate internacional.
Em 2023, a NASA divulgou um relatório afirmando que existem registros de fenômenos sem explicação conclusiva, embora não haja provas de origem extraterrestre.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Defesa também criou setores específicos para analisar relatos feitos principalmente por militares e pilotos.
Mesmo sem comprovação definitiva, o caso de Feira de Santana segue ocupando espaço no imaginário popular e na memória da ufologia brasileira como um dos episódios mais misteriosos já registrados na Bahia.
O Feirenses transformou essa história em tema de um novo episódio do podcast, disponível no Spotify. A produção mergulha nos relatos sobre o suposto OVNI de Feira de Santana, recupera o contexto da época e relembra as investigações conduzidas por Alberto Romero.
O episódio traz participações especiais: um trecho da entrevista que o jornalista Rafael Velame fez com uma testemunha ocular da possível queda do OVNI em Feira de Santana e o “Cordel da Caixa D’Água”, do artista Uyatã Raíra.
Na obra, Uyatã imagina um extraterrestre perdido em Feira de Santana tentando consertar sua nave no Feiraguay, na Feira do Rolo e na Rua de Aurora, em uma narrativa bem-humorada que mistura cultura popular, memória urbana e o jeito peculiar da cidade.
O episódio completo já está disponível no Spotify. Clique abaixo para ouvir.

