O fotógrafo e cineasta feirense Arivaldo Publio dos Santos, conhecido como Ari Publio, acaba de conquistar reconhecimento internacional ao ter uma de suas fotografias premiada no concurso “The Shape of a Moment”, promovido pela Exposure Photo Gallery, instituição dedicada à fotografia artística com atuação nos Estados Unidos e na Argentina e sede administrativa em Nova York.

A obra “Graffiti e Transformação” recebeu um Reconhecimento Especial, certificado concedido às imagens que alcançaram desempenho de excelência na avaliação curatorial. Segundo a organização, as fotografias contempladas integram aproximadamente o grupo das 7,5% melhores obras inscritas no concurso e passam a fazer parte da galeria online da instituição, reunindo trabalhos de fotógrafos de diversos países.

Para Ari Publio, a conquista tem um significado que vai além do reconhecimento individual.

“É como receber um prêmio em um festival internacional de fotografia. Entre fotógrafos do mundo inteiro, teve um feirense contemplado. Isso mostra que o trabalho produzido aqui pode dialogar com qualquer lugar do mundo”, celebra.

A Exposure Photo Gallery é um espaço internacional dedicado exclusivamente à fotografia artística. A instituição promove exposições e concursos com o objetivo de conectar fotógrafos de diferentes países, valorizando tanto artistas consagrados quanto talentos emergentes. As obras selecionadas passam a integrar uma galeria virtual de alcance internacional.

Uma trajetória construída pela imagem

Natural de Feira de Santana, Ari Publio tem 35 anos e acumula mais de uma década de atuação na fotografia e no audiovisual.

Graduando em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda, é formado em Cinefotografia e Operação de Câmera pela Escola Baiana de Cinema (EBACINE). Atualmente, é professor de Produção Audiovisual no Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e também ministra aulas de edição de vídeo no curso de Produção de Roteiro e Vídeo do IFBA, campus Santo Antônio de Jesus.

Seu primeiro contato com a fotografia aconteceu durante a graduação em Publicidade. Desde então, trabalhou como fotógrafo, cinegrafista e editor da TV Web da Secretaria Municipal de Comunicação de Feira de Santana, consolidando uma carreira voltada tanto para a produção comercial quanto para projetos de documentação cultural.

Arte urbana como patrimônio

Em 2015, Ari fundou a Ser Tão Filmes, produtora audiovisual especializada em projetos culturais e documentais.

Entre seus trabalhos mais reconhecidos está o registro do Bahia de Todas as Cores (BTC), considerado o maior festival de arte urbana do Nordeste, acompanhado por ele há mais de 11 anos. Também documentou eventos de grande relevância para o grafite mundial, como o Meeting of Favela (MOF), realizado no Rio de Janeiro e reconhecido internacionalmente entre os principais encontros de arte urbana.

Foi justamente esse olhar dedicado às transformações provocadas pela arte nas cidades que inspirou a fotografia premiada, intitulada “Graffiti e Transformação”.

Produções que ultrapassam fronteiras

Ao longo de mais de dez anos de atuação, a Ser Tão Filmes construiu um portfólio voltado à valorização da cultura baiana.

A produtora realizou documentários sobre Canudos, Zilah Rocha, Irmã Dulce, os distritos de Feira de Santana, a Caminhada Tupinambá, o Bembé do Mercado e diversas manifestações culturais espalhadas pelo estado. Também assinou transmissões ao vivo de eventos como o Festival Feira Noise, o Bando Anunciador durante a pandemia e a cerimônia em homenagem a Maria Quitéria.

Além da atuação no campo cultural, a empresa também desenvolveu projetos para gigantes do audiovisual, como Amazon e Netflix, além de produzir conteúdo para a BBC de Londres. Nos últimos anos, esteve presente na cobertura do G20 Brasil na Bahia, do Afropunk Bahia, do Carnaval de Salvador, do Street of Styles, em Curitiba, e de diversos festivais ligados à arte urbana e à cultura popular.

Agora, o reconhecimento concedido pela Exposure Photo Gallery amplia ainda mais a projeção internacional do fotógrafo feirense e reforça o potencial da produção artística desenvolvida no interior da Bahia, especialmente quando voltada ao registro da cultura, da memória e das múltiplas formas de expressão presentes nas ruas.

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