Feira de Santana amanheceu de luto neste domingo (31) com a morte do jornalista José Carlos Pedreira, conhecido por gerações de feirenses como Zé Coió. A informação foi divulgada pela própria família e rapidamente repercutiu entre profissionais da comunicação, empresários, artistas, políticos e moradores da cidade que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas.
Zé Coió tinha 89 anos e era considerado uma das figuras mais populares e conhecidas da imprensa feirense. Mais do que jornalista, tornou-se um personagem da vida cultural da cidade, conhecido pelo estilo irreverente, pela presença constante nos eventos sociais e pelo amor declarado à Feira de Santana.
Natural de São Gonçalo dos Campos, chegou ainda jovem à Princesa do Sertão, onde construiu praticamente toda a sua história pessoal e profissional. Seu nome ficou eternamente ligado ao Jornal Noite e Dia, veículo criado por ele e mantido por mais de 40 anos, atravessando diferentes fases da cidade e registrando acontecimentos políticos, culturais, empresariais e sociais que marcaram gerações.
Em entrevista concedida ao jornalista Levi Vasconcelos, do jornal A Tarde, publicada em janeiro de 2023, Zé Coió contou que praticamente fazia sozinho todo o processo de produção do periódico. Ele mesmo apurava pautas, vendia anúncios, distribuía exemplares e realizava cobranças para manter o jornal circulando. Na ocasião, o Noite e Dia já ultrapassava a marca de 1.200 edições publicadas.
O jornal se tornou um verdadeiro arquivo da história contemporânea de Feira de Santana. Durante décadas, registrou aniversários, inaugurações, eventos culturais, campanhas políticas, homenagens, acontecimentos esportivos e transformações urbanas da cidade.
Além de consolidar sua atuação na imprensa, Zé Coió também teve participação marcante na vida noturna feirense. Esteve à frente de diversos bares, restaurantes, casas de show e espaços de entretenimento que movimentaram a cidade principalmente entre as décadas de 1970 e 1990. Seu nome esteve associado a uma época em que Feira vivia intensa efervescência cultural e social.
Outro legado importante foi a criação de eventos que se tornaram tradicionais no calendário social da cidade. Entre eles estão a Feijoada Noite e Dia e o Troféu Imprensa Noite e Dia, iniciativas que reuniam jornalistas, artistas, empresários, autoridades e personalidades da região.
O reconhecimento pela contribuição à comunicação e à cultura local resultou em diversas homenagens públicas. Em 2019, durante a Micareta de Feira de Santana, a Prefeitura escolheu seu nome para batizar o Camarote da Comunicação, destacando sua importância para a história da imprensa local.
Ao longo da vida, Zé Coió se tornou uma espécie de guardião das memórias da cidade. Conhecia personagens, histórias e bastidores de diferentes períodos de Feira de Santana e gostava de compartilhar relatos sobre a evolução do município, suas festas, sua imprensa e seus personagens populares.
A partida de Zé Coió representa o encerramento de uma trajetória profundamente ligada à construção da identidade cultural e jornalística de Feira de Santana. Seu legado permanecerá preservado nas páginas do Jornal Noite e Dia, nos eventos que ajudou a criar e na memória coletiva de uma cidade que ele passou décadas ajudando a contar histórias.
O velório será realizado neste domingo (31), a partir das 16h, no Cerimonial Imperial, localizado na Rua Barão do Rio Branco, nº 347. O sepultamento está marcado para esta segunda-feira (1º), às 15h, no Cemitério Piedade.

