No começo dos anos 1980 o Sobradinho era um bairro ainda em expansão. Havia muitos terrenos baldios, boa parte coberta por vegetação. Povoamento mesmo havia só nas duas principais vias de tráfego – Arivaldo de Carvalho e Landulfo Alves – e o comércio era incipiente. Naquela época foi comum a chegada de famílias recém-formadas, com adultos jovens e muitas crianças, que construíram e ocuparam o bairro. Idosos eram exceção, na maior parte antigos moradores.
Cerca de quatro décadas depois, o Sobradinho mudou muito. Parte das antigas residências das vias principais deu lugar a variados estabelecimentos comerciais: escritórios de empresas, clínicas, supermercados, academias de ginástica; aos poucos, foi perdendo aquela tranquilidade típica dos bairros residenciais.
Por outro lado, parte dos moradores foi embora, indo residir nos bairros que iam surgindo pela Feira de Santana; muitos migraram fustigados pelos valores crescentes dos alugueis; outra parte simplesmente envelheceu, com filhos e netos optando por viver suas vidas em outros lugares, acompanhando a expansão urbana da Princesa do Sertão.
Isso, aos poucos, tornou o Sobradinho um lugar de idosos. As ruas do bairro, outrora repletas de crianças e adolescentes, esvaziaram-se, pois estes tornaram-se adultos. Por lá prevalece, hoje, uma mistura de moradores mais antigos, resistindo em suas residências, com o já mencionado comércio que foi se expandindo as longo dos anos.
Os números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, reforçam essas constatações. Crianças e adolescentes com idade entre 0 e 14 anos representam só cerca de 8% da população do bairro, considerando os sexos masculino e feminino; Por outro lado, mulheres com mais de 70 anos representam 7,31% da população feminina.
Os grupos mais expressivos são compostos por homens com idade entre 50 e 59 anos (6,26%) e mulheres na faixa dos 40 aos 49 anos (8,81%). Entre os mais jovens – com idade variando entre 20 e 24 anos – havia só 3,32% de homens e 4% de mulheres. Cenário bem diferente de décadas atrás, quando a pirâmide etária brasileira exibida nas aulas de Geografia era achatada na base e bem estreita no topo.
No Sobradinho, o número de brancos é quase o dobro do de pretos: 961 e 585. Os pardos, pra variar, constituem a maioria: são 1.851. Note-se que o Censo 2022 mapeou 3.404 pessoas residentes no Sobradinho. Outro dado que chama a atenção é o número de alfabetizados: 96,5% da população, superior à da média da Feira de Santana (93%).
As transformações no Sobradinho articulam-se à dinâmica etária mais geral da população brasileira e, por outro lado, à lógica de expansão da malha urbana da Feira de Santana. O que existiu no passado sobrevive apenas na memória de quem foi testemunha daqueles tempos…

