O Espaço Jerimum, localizado no Centro de Cultura Amélio Amorim, sedia, de 12 de setembro a 08 de outubro, a exposição vinculada ao projeto de pesquisa Genealogias ancestrais de Mulheres afroascendentes. A iniciativa é idealizada pela historiadora Adriana Dantas Reis, professora de História da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O projeto se desenvolve no âmbito de seu Estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-Graduação em História Regional e Local (PPGHIS) da UNEB – Campus V, sob supervisão da professora Edinelia Maria Oliveira Souza. A mostra tem entrada gratuita e promove uma profunda imersão nas trajetórias, resistências e na potência existencial da população negra.
Quinze mulheres serão retratadas na mostra, entre elas Dona Daria Lima e Maria das Neves das Virgens Oliveira, mulheres quilimbolas moradoras da Matinha, Ivannide Santa Bárbara, importante ativista negra de Feira de Santana, e outras mulheres entre o século XVII, como Dona Maria Barbosa, passando pelo século XVIII como Luzia Jeje, século XIX como Marcelkina Baptista de Oliveira e o século XX, como Dona Verônica Francisca de Jesus. A exposição é também um desdobramento das atividades do “Julho das Pretas”, realizadas em parceria com o Laboratório de Estudos Conexões Atlânticas e Diáspora Africana (LECADIA/UEFS).
O Método e a Crítica Decolonial
Ancorada no pensamento feminista negro e decolonial, a exposição adota o método das “Genealogias Ancestrais”. A perspectiva articula ascendência/raça, gênero e condição social como eixos estruturantes para conectar trajetórias e temporalidades sob a égide da África Global. A ancestralidade africana é posicionada como o ponto de partida fundamental para compreender os processos de povos deslocados pelo Atlântico.
Longe de buscar uma origem mítica e estática, a abordagem debruça-se sobre a pluralidade das “re-existências” na diáspora. O trabalho ressignifica a micro-história tradicional e os estudos de trajetórias da História Social. Sob essa ótica, a ancestralidade é tratada não como um acidente, mas como uma força existencial deliberada contra o trauma do deslocamento forçado de pessoas escravizadas.
Subversão das Hierarquias de Poder
O método surge como uma resposta direta ao colonialismo e aos antigos estatutos de “limpeza de sangue”, mecanismos históricos que utilizavam as linhagens, o patriarcado e a “qualidade” social (condição jurídica, origem, cor e religião) para ditar as hierarquias de poder.
A mostra subverte essa lógica colonial ao posicionar as mulheres como as arquitetas fundamentais do mundo afrodiaspórico. A análise foca em um contínuo de re-existências na diáspora, conectando o passado ao presente. Ao observar essas trajetórias, o público compreende como as linhagens afroascendentes, mesmo inseridas na engrenagem colonial, preservaram a ancestralidade como o eixo ordenador de suas existências e de seus vínculos existenciais coletivos.
Afroascendência/Afroascendentes é uma categoria de análise proposta pela pesquisadora Adriana Dantas Reis que pretende articular as trajetórias dessas mulheres a partir de suas ascendências diaspóricas, e não apenas pela cor e pela condição social. A categoria se desdobra em três dimensões: a ancestralidade diaspórica de mulheres africanas e suas conexões com as descendentes; o erguimento e mobilidade frente aos atravessamentos do racismo e do patriarcado; e a re-existência, que supera a mera resistência e o racionalismo europeu para afirmar a potência existencial mesmo diante de todos os obstáculos estruturais.
- Local: Espaço Jerimum – Centro de Cultura Amélio Amorim (Av. Pres. Dutra, 2222 – Centro, Feira de Santana – BA)
- Período de Visitação: 12 de setembro a 08 de outubro de 2026
- Horário: 09h às 17h de terça à sábado
- Agendamento de visitas guiadas: genealogias.ancestrais@gmail.com
- Entrada: Gratuita

