Ele começou nas rodas de samba, com o cavaquinho, e hoje é responsável pela música de grandes espetáculos nos palcos do Rio de Janeiro. O feirense Rodrigo Pirikito conquistou espaço em uma das cenas de samba mais tradicionais e disputadas do país. Integra a banda de Pretinho da Serrinha, um dos principais produtores musicais do Brasil, e já passou por diversas rodas de samba tradicionais da capital carioca, onde a música se aprende na convivência com os mestres.
Essa experiência o levou ao teatro. Pirikito se tornou um nome frequente nas montagens do diretor Luiz Antonio Pilar, dedicadas a contar a história de grandes figuras do samba. Assinou a direção musical de “Leci Brandão – Na Palma da Mão”, ao lado de Arifan Júnior, espetáculo que deu a Pilar o Prêmio Shell de Melhor Direção em 2024. Em seguida, com Matheus Camará, dirigiu a música de “A Pérola Negra do Samba”, sobre Jovelina Pérola Negra. Agora, a dupla volta a trabalhar junta em “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, em cartaz no Rio.
A trajetória foi construída a dois. Pirikito é companheiro da cantora Maryzélia, e juntos eles tiveram a coragem de deixar a Bahia para apostar na carreira musical no Rio de Janeiro. Hoje colhem os frutos dessa escolha. A distância não afastou o músico de suas raízes: ele mantém relações profícuas com o samba de Feira de Santana e segue como um importante colaborador da cena musical da cidade.
“O Neguinho da Beija-Flor – Musical” leva ao Teatro João Caetano a história de um dos maiores nomes do Carnaval brasileiro. A montagem tem direção de Luiz Antonio Pilar e texto do jornalista e pesquisador Aydano André Motta, com patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural. O ator Izak Dahora interpreta o sambista, ao lado de um elenco de dez atores-cantores que dão vida a personagens marcantes de sua trajetória.
O espetáculo acompanha Neguinho desde a infância humilde na Baixada Fluminense até a consagração como intérprete, em uma narrativa que não segue a ordem cronológica tradicional. A história retratada tem números expressivos: foram 50 anos seguidos como a voz da Beija-Flor de Nilópolis, presença nos 15 títulos da escola e mais de 40 discos lançados. Ele se despediu da Sapucaí em 2025.
A música é central na montagem, que reúne mais de 30 canções do repertório do sambista. Sob a direção musical de Camará e Pirikito, as músicas ganharam novos arranjos vocais que preservam a sonoridade original e aproximam o público da obra consagrada por Neguinho.
É digno de registro e destaque a presença de um feirense nesse cenário, mostrando o potencial que Feira de Santana possui de revelar talentos que constroem arte que não se limita a fronteiras.

